O vento gélido balança as folhas das árvores. Um sombreado pálido se projeta em torno de seus galhos.. culpa da lua, que brilha tão redonda quanto uma bola de bilhar.
As nuvens tímidas rumam lentamente para a direção leste, exatamente na mesma direção que ela caminhava.
Seu cigarro sempre preso à mão direita, que periodicamente alcançava a boca em pequenos tragos.
Os olhos atentos à rua deserta e negra, as poucas luzes que surgem no horizonte são dos postes de luz que brilham fracos por detrás dos prédios e arbustos mal cuidados.
O asfalto emana uma frieza que gela suas veias, seu allstar congela e transpassa a falta que a noite trás para o resto de seu corpo.
A noite.. ausência de luz, ausência de movimento, ausência de pessoas, ausência de limites.
Qualquer álcool já é o bastante para aquecê-la.
O jeito displicente e a falta de rumo a guiam para os lugares dos quais ela pertence.
E aonde mora, a garota se perde. Se esconde por entre as paredes, se tranca embaixo do ralo, sacrifica metade de sua consciência.
O filme acabou. Apagaram-se as luzes e a modelo desceu da passarela. Terminou o livro. As cortinas vermelhas se fecharam. A chuva passou, a música nova parou de tocar. O almoço foi retirado, mas tudo bem. Já comi bastante, matei minha fome. A última balinha de goma já foi digerida e a última bolacha do pacote virou migalha por aí, não gosto de doces. As portas da casa noturna se fecharam com medo do dia, os cigarros estão em pontas, o copo metade vazio. O texto se tornou um ponto final, a luta acabou em nocaute ainda nos dois minutos. O palhaço cessou o sorriso e lavou o rosto em sua casa de papelão. O trem passou e se foi, o despertador tocou mais de sete vezes. Cara, acabou a luz! Foi-se a monarquia.
Eu fiquei super feliz por você ter deixado um recado no meu :)
ResponderExcluirObriigada..
lindo demais seu texto,sem palavraas...
beeijos :*
vc é poeta?
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